Forcine

FORCINE

O Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual (Forcine) é uma sociedade civil sem fins lucrativos que congrega e representa de forma permanente as instituições e os profissionais brasileiros dedicados ao ensino de cinema e audiovisual. Visando, desde sempre, o desenvolvimento e o fortalecimento dessa atividade.

Introdução

Seguindo os passos das grandes mudanças ocorridas no início dos anos 60, em algumas cinematografias mundiais, também o cinema brasileiro tomou novos rumos e acompanhou, à sua maneira, a renovação da linguagem fílmica e as mudanças que repercutiam nos modos de produção.

Com isso, a valorização do “cinema de autor”, muitas vezes em oposição à indústria hollywoodiana ou aos filmes ditos “de produtor”, teve como referência não somente questões de linguagem, mas, principalmente, a criação de um novo sentido de estética e a defesa de uma postura, antes de tudo, ideológica.

Logo, havia uma forte inquietação nos meios cinematográficos brasileiros quanto aos novos caminhos (artísticos, ideológicos e de mercado) que estavam por ser trilhados. O movimento cineclubista crescia, palestras começavam a ser organizadas e atrair cada vez mais interessados, seminários e debates formavam um público genuinamente desejoso de discutir o cinema como arte e porta para a reflexão.

Os primeiros cursos de cinema em universidades do país foram na UCMG e o Curso Superior São Luiz, no início dos anos 60, que tiveram curta duração. Os consolidados, criados com poucos anos de diferença e que existem até hoje, foram na UnB, na USP e na UFF, e o primeiro em instituição de ensino privada foi na FAAP. Permitindo assim, aos alunos, uma ampla formação cultural e profissional – além de enfática no redescobrimento da nossa realidade social e, sobretudo, da identidade do brasileiro.

Esse modelo permaneceria inalterado até os anos 90, quando a revolução da tecnologia digital transformaria, definitivamente, os processos de produção de cinema. Novas possibilidades de exibição, facilidade de armazenamento, maior acesso a filmografias, barateamento dos custos de filmagem – fatores que, em duas mãos, contribuíram para a experimentação e popularizaram o cinema enquanto alternativa profissional.

Além disso, em parte por conta das facilidades do digital, em parte decorrendo do aquecimento do nosso mercado, o interesse crescente pela atividade cinematográfica teve eco também no meio acadêmico. O número de cursos dessa área vem aumentando exponencialmente, em especial, nos últimos dez anos.

Incrementando, assim, o contingente de profissionais especializados no mercado de trabalho e também de professores e material teórico, destinados à formação do novo profissional do audiovisual brasileiro.

Todo este movimento, dedicado ao ensino de cinema, pedia uma representatividade mais coesa e, sobretudo, consciente das necessidades e potências da atividade. Nesse contexto, portanto, a criação do Forcine – que congrega profissionais e instituições ligados ao ensino de cinema no Brasil – foi da maior importância.

História
O processo de criação do Forcine teve início no 3° Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), ocorrido em Porto Alegre, de 28 de junho a 1° de julho do ano de 2000. Naquele momento, ainda não havia uma representação formal do setor de ensino do audiovisual no Brasil. Contudo, um grupo de trabalho – do qual participavam representantes do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro, ligados primeiramente à SOCINE – dedicou-se especialmente às questões da formação profissional, da pesquisa e da preservação em cinema. Por sua vez, as escolas de cinema foram representadas pela Professora Maria Dora Genis Mourão, da ECA-USP, na época integrante da diretoria da Federação das Escolas Iberoamericanas de Imagem e Som (FEISAL). No documento final do III CBC, porém, foram incluídas algumas deliberações relativas ao ensino e à formação de profissionais do audiovisual.

Como é o caso dos itens 52 e 53, abaixo:

52. Criar um fórum nacional permanente de escolas e centros de formação profissional como instância institucional de interlocução.
53. Implementar um projeto de mapeamento da demanda potencial e real dos mercados de trabalho com o objetivo de reorientar o ensino das escolas de cinema e audiovisual. (…)

Em dezembro do ano 2000, o Departamento de Cinema, Televisão e Rádio (CTR) da ECA-USP organizou um seminário para discutir os rumos do ensino de cinema no Brasil, tendo como coordenadora a mesma Professora Maria Dora Mourão. O evento foi denominado Fórum de Ensino de Cinema e contou com representantes de instituições de ensino públicas e privadas, com atuação em programas regulares de formação na área audiovisual, em diferentes regiões do Brasil. O encontro discutiu a situação do ensino dedicado ao cinema e ao vídeo, sua relação com o ensino de televisão e as novas tecnologias e a necessidade de constituir, finalmente, uma entidade para representar o setor de ensino e formação junto ao Congresso Brasileiro de Cinema (CBC).

Deste primeiro encontro, participaram as seguintes instituições: Faculdade de Tecnologia e Ciências (Salvador, BA); Fundação Armando Álvares Penteado (São Paulo, SP); Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (RJ); Universidade Gama Filho (Rio de Janeiro, RJ); Universidade Federal de São Carlos (S. Carlos, SP), Universidade de São Paulo (São Paulo, SP); Instituto Dragão do Mar de Artes e Indústria Audiovisual (Fortaleza, CE); Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Porto Alegre, RS); Universidade de Brasília (DF); Universidade Federal Fluminense (Niterói, RJ); Universidade Estadual de Campinas (Campinas, SP); Universidade Federal de Minas Gerais (Belo Horizonte, MG); Universidade Federal do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, RJ) e Faculdades Integradas Hélio Alonso (Rio de Janeiro, RJ). Todas figuram como as Instituições de Ensino Superior (IES) fundadoras do Forcine.

Já ao final daquele seminário, os representantes decidiram pela criação do Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual (Forcine) e elegeram a primeira diretoria: Maria Dora Genis Mourão, como presidente (ECA-USP); Antonio Amaral Serra, vice-presidente (UFF); João Guilherme Barone Reis e Silva, secretário geral (PUC-RS) e Evandro Lemos da Cunha, tesoureiro (UFMG). A missão dessa diretoria foi de organizar juridicamente a entidade, elaborar uma proposta de estatuto e fixar o valor da contribuição financeira de seus associados.

Durante os anos de 2001 e 2002, os estatutos foram discutidos e aprovados entre seus membros e, então, o Forcine tornou-se pessoa jurídica. A diretoria se reuniu em diversas ocasiões – entre Goiânia, Rio de Janeiro e São Paulo – mas somente em novembro de 2001, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, RJ, foi realizada a primeira Assembleia Geral.

A partir de então, através de encontros anuais ou bienais, o Forcine promove a discussão sistemática das grandes questões relativas ao ensino e à formação profissional do audiovisual no Brasil.

Uma das conquistas do Forcine foi a atuação na aprovação integral do texto da RESOLUÇÃO Nº 10, DE 27 DE JUNHO DE 2006, do CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO do Ministério da Educação estabeleceu Diretrizes para os cursos da área, como fruto de uma proposta feita pelo FORCINE- Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual, formulada através de ampla discussão com o setor.

Conquistas
A principal luta do Forcine é pelo reconhecimento, por parte dos agentes da indústria audiovisual e do poder público, do papel fundamental das escolas de cinema e audiovisual – tanto como geradoras de inovação e qualificação, capazes de fortalecer o setor, quanto como produtoras de conteúdo.

Desse modo, muito embora haja um longo caminho a ser percorrido, muitos objetivos já foram conquistados.

Entre os quais:

- Programa SAV-MinC / Forcine de Apoio a Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs).
- Interlocução política com instâncias públicas como MEC-SESU, Min C/SAV, ANCINE, CNPq e CAPES.
- A partir de 2003, o Forcine ganhou assento junto ao Conselho Consultivo da Secretaria para o Desenvolvimento do Audiovisual do Ministério da Cultura.
- A qualificação das IES associadas vem sendo constantemente reconhecida, eis que há anos o Forcine é convidado a indicar representantes para todas as comissões de seleção de editais de cinema e audiovisual do Ministério da Cultura e para os da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

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